> SP 450 anos
Anhembi
Site oficial dos 450 anos de SP
Sampacentro
SP 450 anos
Sábado, 24 de janeiro de 2004, 10h39 
SP impõe ao mundo suas múltiplas personalidades
 
Governo do Estado/Divulgação
Detalhe da Pinacoteca do Estado
Multimídia
Galerias de fotos
» Lula inagura fonte multimídia no Ibirapuera
» Alckmin inaugura a Estação Pinacoteca
Últimas de SP 450 anos
» vc repórter: festa une militares e civis em Camboriú
» vc repórter: cheia do rio Negro altera paisagem em Manaus
» Exemplo5 - Palmeiras decepciona e só empata
» Ex 4 - executivos adotam facebook para negocios
Busca
Busque outras notícias no Terra:
São Paulo é uma personagem frenética, mesmo aos 450 anos, fraca dos pulmões e sofrendo pelas veias entupidas. Já passou por diversas recauchutagens e mesmo assim não consegue arrumar a imagem - será eternamente um ser mutante.

"São Paulo não tem uma idade cronológica, não é um bebê, nem um jovem ou idoso. Ela lembra talvez um artista de filme surreal. Fica entre o clown, o gênio ou monstro", analisa o psicanalista Jacob Pinheiro Goldberg.

Por suas veias, mais de 20 milhões de pessoas circulam diariamente, disputando ruas e avenidas com 5 milhões de carros, ônibus, caminhões e motoboys.

São Paulo tenta disfarçar sua poluição detestável, respirando através de seus 40 parques.

Os ouvidos são bem apurados e o gosto, eclético. Música clássica, samba e rock fazem parte do repertório dessa personagem, uma mistura de celebridade internacional e catalisadora dos modismos nacionais.

"São Paulo é o reflexo do indivíduo cosmopolitano, imigrante e emigrado. É uma das maiores cidades lituanas do mundo, mas também italiana e com uma coloração nordestina maior do que qualquer cidade do nordeste", continuou Goldberg, também professor convidado da University College of London Medical School.

"A cidade é o tataraneto de ladrões portugueses exilados no Brasil. Ela tem todo o atrevimento e o espírito de transgressão que a gente pode imaginar, ao mesmo tempo que tem toda a malícia de uma organização capitalista."

SEM CENTRO
Braços compridos para alcançar o mundo, pernas rápidas que a fizeram engolir largos trechos da Mata Atlântica, São Paulo se expandiu e englobou desajustes sociais, empresas multinacionais e tudo mais o que viesse pela frente.

Para o arquiteto Ruy Ohtake, São Paulo chegou ao ponto de perder seu centro. "Ela não tem mais um único centro. Tatuapé é um centro; Berrini é outro centro; Santo Amaro, em volta do Largo 13 (de Maio), é outro."

Apesar de solitária em alguns extremos, a cidade sofre mesmo é de alta densidade populacional. Segundo Ohtake, a periferia das regiões sul, norte e leste são as que mais crescem. Em contrapartida, os bairros Jardins, Morumbi e áreas dos parques Ibirapuera e Villa-Lobos representam os vazios da metrópole.

"Em 50 anos, São Paulo cresceu 10 milhões de habitantes. Isso é uma coisa nunca vista no mundo e que causa uma perplexidade", disse Ohtake. "Esse aumento foi provocado pelo desajuste social que acontece no Brasil. As pessoas vêm de todos os Estados para tentar a vida aqui".

Para ele, São Paulo se compara a outras cidades de países em desenvolvimento, como Cidade do México, Lagos (Nigéria) e Xangai (China).

MUITA MEDITAÇÃO
Das inúmeras intervenções cirúrgicas, nada mais notável do que a avenida Paulista, aberta em 1890. Dos casarões dos fazendeiros de café, a região viu a invasão dos prédios de apartamentos na década de 40 e, vinte anos depois, dos escritórios high-tech.

A Marginal Pinheiros também foi outra região recauchutada várias vezes. Em 40 anos, grandes galpões de fábricas ao longo da margem do rio Tietê deram lugar a grandes edifícios comerciais, que tomaram conta da região a partir dos anos 1980.

Para o professor de medicina tradicional chinesa Jou Eel Jia, São Paulo sofre de um transtorno de personalidade, uma espécie de neurose obsessiva. ``A cidade não pára, ela se repete, repete, repete, e não pára. É um transtorno de ansiedade'', explicou.

Neste caso, ele indica como tratamento muita meditação, acupuntura e lien ch'i --ginástica de oito movimentos parecida com a ioga.

"Na acupuntura, eu trabalharia a porta do espírito (ponto no punho) e a região do terceiro olho (no meio das sobrancelhas)", disse Jou.

O primeiro relaxaria a mente e o corpo, ampliando a espiritualidade e a consciência (região relacionada aos parques e áreas verdes da metrópole. O segundo ponto trabalha a tensão e aumenta a intuição) museus e histórico da metrópole.

"Essa selva de pedra deixa a gente louco. E nos parques e museus dá para relaxar."
 

Reuters

Reuters Limited - todos os direitos reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.