| Governo do Estado/Divulgação |
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| Detalhe da Pinacoteca do Estado |
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São Paulo é uma personagem frenética, mesmo aos 450 anos, fraca dos pulmões e sofrendo pelas veias entupidas. Já passou por diversas recauchutagens e mesmo assim não consegue arrumar a imagem - será eternamente um ser mutante.
"São Paulo não tem uma idade cronológica, não é um bebê, nem um jovem ou idoso. Ela lembra talvez um artista de filme surreal. Fica entre o clown, o gênio ou monstro", analisa o psicanalista Jacob Pinheiro Goldberg.
Por suas veias, mais de 20 milhões de pessoas circulam diariamente, disputando ruas e avenidas com 5 milhões de carros, ônibus, caminhões e motoboys.
São Paulo tenta disfarçar sua poluição detestável, respirando através de seus 40 parques.
Os ouvidos são bem apurados e o gosto, eclético. Música clássica, samba e rock fazem parte do repertório dessa personagem, uma mistura de celebridade internacional e catalisadora dos modismos nacionais.
"São Paulo é o reflexo do indivíduo cosmopolitano, imigrante e emigrado. É uma das maiores cidades lituanas do mundo, mas também italiana e com uma coloração nordestina maior do que qualquer cidade do nordeste", continuou Goldberg, também professor convidado da University College of London Medical School.
"A cidade é o tataraneto de ladrões portugueses exilados no Brasil. Ela tem todo o atrevimento e o espírito de transgressão que a gente pode imaginar, ao mesmo tempo que tem toda a malícia de uma organização capitalista."
SEM CENTRO
Braços compridos para alcançar o mundo, pernas rápidas que a fizeram engolir largos trechos da Mata Atlântica, São Paulo se expandiu e englobou desajustes sociais, empresas multinacionais e tudo mais o que viesse pela frente.
Para o arquiteto Ruy Ohtake, São Paulo chegou ao ponto de perder seu centro. "Ela não tem mais um único centro. Tatuapé é um centro; Berrini é outro centro; Santo Amaro, em volta do Largo 13 (de Maio), é outro."
Apesar de solitária em alguns extremos, a cidade sofre mesmo é de alta densidade populacional. Segundo Ohtake, a periferia das regiões sul, norte e leste são as que mais crescem. Em contrapartida, os bairros Jardins, Morumbi e áreas dos parques Ibirapuera e Villa-Lobos representam os vazios da metrópole.
"Em 50 anos, São Paulo cresceu 10 milhões de habitantes. Isso é uma coisa nunca vista no mundo e que causa uma perplexidade", disse Ohtake. "Esse aumento foi provocado pelo desajuste social que acontece no Brasil. As pessoas vêm de todos os Estados para tentar a vida aqui".
Para ele, São Paulo se compara a outras cidades de países em desenvolvimento, como Cidade do México, Lagos (Nigéria) e Xangai (China).
MUITA MEDITAÇÃO
Das inúmeras intervenções cirúrgicas, nada mais notável do que a avenida Paulista, aberta em 1890. Dos casarões dos fazendeiros de café, a região viu a invasão dos prédios de apartamentos na década de 40 e, vinte anos depois, dos escritórios high-tech.
A Marginal Pinheiros também foi outra região recauchutada várias vezes. Em 40 anos, grandes galpões de fábricas ao longo da margem do rio Tietê deram lugar a grandes edifícios comerciais, que tomaram conta da região a partir dos anos 1980.
Para o professor de medicina tradicional chinesa Jou Eel Jia, São Paulo sofre de um transtorno de personalidade, uma espécie de neurose obsessiva. ``A cidade não pára, ela se repete, repete, repete, e não pára. É um transtorno de ansiedade'', explicou.
Neste caso, ele indica como tratamento muita meditação, acupuntura e lien ch'i --ginástica de oito movimentos parecida com a ioga.
"Na acupuntura, eu trabalharia a porta do espírito (ponto no punho) e a região do terceiro olho (no meio das sobrancelhas)", disse Jou.
O primeiro relaxaria a mente e o corpo, ampliando a espiritualidade e a consciência (região relacionada aos parques e áreas verdes da metrópole. O segundo ponto trabalha a tensão e aumenta a intuição) museus e histórico da metrópole.
"Essa selva de pedra deixa a gente louco. E nos parques e museus dá para relaxar."
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